17/11/2017

Uau, vai ficar mais harmonioso ainda, aprove-se a descaracterização de um Monumento de Interesse Público (ou será privado?)


«I. Ampliação vertical dos vãos existentes no embasamento ao nível do piso -1 / frente da Av. da Liberdade, destinando-se o vão correspondente à cota mais baixa do passeio, designadamente, a porta de acesso ao interior do piso através de escadas interiores;
II. Abertura de 3 vãos centrais que, tal como o vão resultante à direita, se destinam a montras, com largura limitada à largura dos vãos dos pisos superiores;
A solução preconizada em projecto salienta a intervenção como ‘reversível’, uma vez que ‘os blocos de lioz serão removidos e armazenados dentro da parcela, possibilitando a sua recolocação (no futuro) na sua disposição original, à semelhança dos blocos da fachada lateral Sul, incluindo o troço da cornija pontualmente prevista remover junto da mansarda (v. MDJ, p.12; Pormenores do Alçado Nascente e Lateral Sul, Des. Arq.03.010; Arq. 02.014) Assumindo a sua modernidade, os novos vãos envidraçados (4 montras) terão caixilho em aço inox, não visível do exterior.
III. Ampliação do ‘novo volume’ a executar em estrutura metálica e vidro - escada e elevador – enquadrado junto da fachada lateral/Sul, em mais um piso, tendo por objetivo o melhoramento das condições de circulação e permitir o acesso, da totalidade dos pisos, ao jardim/Poente;»

15/11/2017

Homessa, cadê as pinturas dos tectos do Palacete Faria??


(ou como Souto Moura anda literalmente a gozar com os lisboetas!... http://www.fariapalace.pt/)

...

Fotos do Palacete Faria pré-Souto Moura, em http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=14217:

Palácio de Santa Helena - Queixa à Provedoria de Justiça


Exma. Senhora Provedora de Justiça
Prof. Doutora Maria Lúcia Amaral


Cc. PCML, AML e media

Vimos pelo presente apresentar queixa junto de Vossa Excelência e dos serviços da Provedoria de Justiça relativamente ao projecto de alterações com ampliação, processo nº 454/EDI/2016, aprovado por despacho do Vereador do Urbanismo da CML, para os edifícios e logradouro do Largo do Sequeira, nº 7 (Palácio de Santa Helena), em Alfama, cuja obra decorre.

Com efeito, do projecto em apreço decorrem algumas implicações que, a nosso ver, poderão configurar a violação do Plano Director Municipal, tratando-se ainda de um imóvel do Inventário Municipal do Património (Lote 36.07 Palácio Sequeira Freire / Largo do Sequeira, 7), a saber, e principalmente, o Artigo 17º do Regulamento do PDM, referente ao “sistema de vistas”.

Assim, salvo prova em contrário, e após verificação no local, parece-nos evidente que as vistas para o rio, desde o enfiamento do Largo do Sequeira/Escadinhas do Arco da Dona Rosa, serão severamente afectadas se compararmos a situação actual (https://www.google.pt/maps/@38.7135824,-9.1270562,3a,75y,206.93h,90.59t/data=!3m6!1e1!3m4!1svbTqhP1_YybA4hlJ0VzL0Q!2e0!7i13312!8i6656) com a futura tendo em consideração a construção anunciada no leaflet do promotor, a qual basicamente, vai fazer subir em pelo menos 1 andar todo o muro ali existente.
Também as perspectivas através do canto inferior direito do lote (no fecho da Rua dos Corvos), hoje desafogadas, serão afectadas pela construção de um corpo novo.
Finalmente, e não despiciendo, as vistas desde os miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia para as zonas altas de São Vicente de Fora e Santa Engrácia serão severamente afectadas pela “muralha” que irá ser construída e revestida a contínuo uniforme, em toda a extensão do lote do lado poente, ou seja, será impossível que a mesma passe despercebida a quem se encontrar nos referidos miradouros.

Acresce que as construções novas agora aprovadas pela CML no logradouro do Palácio de Santa Helena, aprovadas com a justificação de serem construções/ampliações sobre corpos já existentes, são-no de facto em construções ilegais, uma vez que os pavilhões ali existentes foram oportunamente considerados pela CML como ilegais, mas nunca demolidos.

Finalmente, consideramos lamentável que, mais uma vez, um projecto como o presente, com forte impacte num bairro histórico e consolidado como é Alfama (o que aliás é referido na documentação camarária que aqui juntamos), se permita ser aprovado por despacho, sem ser discutido em reunião pública de CML e, pior, não ser tramitado urbanisticamente por quem de direito como se de uma operação de loteamento se tratasse e assim promovesse uma discussão pública a vários níveis.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, Fernando Silva Grade, Pedro de Souza, Miguel Atanásio Carvalho, Virgílio Marques, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Rui Pedro Barbosa, António Araújo

11/11/2017

Portugal à venda....


Panteão Nacional é actualmente também refeitório 

É a última coisa que devíamos perder....a chamada dignidade, mas vamos em bom caminho. É vistos gold para a entrada sabe lá de quem, são as prioridades todas para sr. turista, e estamos brevemente todos (e tudo) à venda. 

Sobre esta vergonha que nos devia fazer corar a todos....pode ler mais aqui

10/11/2017


Ainda a propósito do empreendimento "prateado" libanês no Poço do Bispo (http://www.diarioimobiliario.pt/Habitacao/Grupo-libanes-investe-16-M-em-51-Design-Lofts-em-Marvila) convenhamos que os "bonecos" não parecem mal, e dadas as pré-existências, ainda menos... julgo que os investidores sejam os mesmos do hotel Alegria, na Praça da Alegria, o que também não parece mal antes pelo contrário, pois pegaram num pardieiro e puseram-no a bombar. O grande atractivo deste negócio serão as vistas para o rio, já que nas traseiras o "apita o comboio", as vistas e a "fréquence" não me parecem mto. atraentes. É uma "resposta" ao mega-empreendimento de Renzo Piano, ali nem a 500mt e a prova que aquela zona de oportunidades (de Braço de Prata até à Manutenção Militar) é mesmo isso, uma zona de oportunidades, e acho muito bem. Há contudo ali uns pavilhões em ferro bem bonitos, sobretudo onde a rua Pereira Henriques faz o "cotovelo" e que merecem atenção mais cuidada...

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08/11/2017

Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade



Por O Corvo (8.11.2017), texto de Samuel Alemão e fotografia de David Clifford

«Todas as reuniões da Câmara de Lisboa e das 24 freguesias terão transmissão online

Pode vir a ser uma autêntica revolução na forma de participação dos cidadãos da capital nos assuntos que envolvem a sua comunidade. A partir do próximo mês de dezembro, todas as reuniões do executivo da Câmara Municipal de Lisboa (CML) deverão começar a ser transmitidas online na íntegra. Além disso, no primeiro trimestre de 2018, o mesmo sucederá em todas as 24 assembleias de freguesia da cidade. E já a partir de janeiro próximo, o número mínimo de assinaturas necessário para que uma petição seja discutida em plenário da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) desce de 250 para 150. As medidas fazem parte do conjunto de oito dezenas de pontos integrantes do acordo de convergência para a governação do executivo camarário, assinado na semana passada entre o socialista Fernando Medina e o bloquista Ricardo Robles. Nunca havia sido tão fácil aos eleitores exercerem um escrutínio tão directo sobre as decisões dos seus representantes.»

Av. Liberdade, 193 (MIP) - Queixa à Provedoria de Justiça

Exmº. Senhor Provedor de Justiça
Prof. Doutor José de Faria Costa


C.c. PCML, DGPC, AML, ICOMOS e media

Considerando que o imóvel sito na Avenida da Liberdade, nº 193, é Monumento de Interesse Público (Portaria nº 740-D/2012), e que em Maio deste ano foi colocado na sua vedação o aviso de obra cuja cópia anexamos, anunciando a aprovação, por despacho, de projecto de demolição parcial do mesmo;

Solicitámos nesse mesmo mês esclarecimentos à Direcção-Geral do Património Cultural e à CML quanto ao teor daquele projecto.

Considerando que até ao momento não nos foi dada nenhuma resposta, nem tampouco foi publicitada qualquer notícia acerca da extensão das obras que, manifestamente, são de alterações e ampliação;

Solicitamos a melhor ajuda de Vossa Excelência e dos serviços dessa Instituição, no sentido de se apurar qual a natureza das obras em causa e se as mesmas são compatíveis e de acordo com o regime de protecção daquele palacete.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos


Lisboa, 31 de Outubro de 2017

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, João Miguel Mesquita, Maria de Morais, Luís Mascarenhas Gaivão, Paulo Guilherme Figueiredo, Jorge Pinto, Miguel Atanásio Carvalho, Rui Pedro Barbosa, Gonçalo Cornélio da Silva, Virgílio Marques, Fátima Castanheira, Fernando Silva Grade, António Araújo, Maria do Rosário Reiche, Pedro Ribeiro, Beatriz Empis, Pedro Formozinho Sanchez, José Maria Amador e Miguel de Sepúlveda Velloso

...

Resposta da DGPC (7.11.2017)

«- Casa Apalaçada e Jardim, Av. da Liberdade n.º 191-193 (IIP, classificada em 2012, nos termos da Portaria 740-D/2012 de 24 de dezembro)

Em 22.10.2015 foi feita uma visita conjunta ao imóvel (DGPC, equipa projetista e promotor) visando a sua adaptação a espaço comercial;

Em 07.12.2015 foi realizada uma reunião de acompanhamento do projeto (Memorando Inf. 2988/DSPAA/2015);

Em 29.01.2016 o PIP foi aprovado pela Sr.ª Diretora-Geral, Arq.ª Paula Araújo da Silva, condicionado nos termos dos pareceres de arqueologia (acompanhamento arqueológico de todas as afetações de subsolo) e de arquitectura, nomeadamente, nos termos do despacho de 27.01.16 do Chefe de Divisão da DSPAA; “Considerando que a proposta poderá dotar o imóvel classificado de uma nova funcionalidade, proponho Aprovação Condicionada nos termos dos pareceres de arqueologia e de arquitectura, nomeadamente quanto à revisão da proposta (em fase de projeto base) no que diz respeito; (i) às dimensões do alargamento dos vãos laterais propostos para o embasamento do edifício (não sendo de aceitar a proposta para o vão central), por forma a respeitar a estereotomia do revestimento em pedra existente, (ii) assim como preservar, numa versão maximalista, a compartimentação original, admitindo-se apenas os desmontes estritamente necessários do ponto de vista funcional e que não comprometam a autenticidade da matriz espacial dos interiores do imóvel, situação que deverá ser aferida de forma cautelosa em nova visita a agendar ao local.
À consideração superior”. (Inf. 0132/DSPAA/2016);

Em 02.08.2016 o Projeto Base foi aprovado pela Sr.ª Diretora-Geral, Arq.ª Paula Araújo da Silva, condicionado nos termos do parecer de arqueologia (acompanhamento arqueológico de todas as afetações de subsolo) assim como à apresentação de Relatório Final em conformidade c/ o D.L. 140/2009. - (Inf. 1917/DSPAA/2016);

Em 19.6.2017 o Projeto de Execução foi aprovado pelo Sr. Subdiretor-Geral, Arq. João Carlos dos Santos, condicionado ao respeito pela “estereotomia existente ao nível das padieiras” para os novos vãos previstos para o embasamento do edifício, assim como nos termos dos pareceres de arqueologia (acompanhamento arqueológico de todas as afetações de subsolo) e de arquitectura (entrega de relatórios intercalares e final dos trabalhos, nos termos do DL 140/2009). - (Inf. 1641/DSPAA/2017);

Em 10.7.2017 o Projeto de arranjos exteriores do logradouro obteve o despacho desfavorável por parte do Sr. Subdiretor-Geral, Arq. João Carlos dos Santos, por insuficiente instrução processual. - (Inf. 1997/DSPAA/2017);

Em 30.8.2017 o Projeto de arranjos exteriores foi aprovado pelo Sr. Subdiretor-Geral, Arq. João Carlos dos Santos, condicionado nos termos dos pareceres de arqueologia (acompanhamento arqueológico de todas as afetações de subsolo) e de arquitectura paisagista (entrega do projeto de recuperação do Jardim elaborado por técnico de arquitectura paisagista). - (Inf. 2583/DSPAA/2017);

Melhores cumprimentos
Carlos Bessa
Arquiteto
Chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Arquitetónico e Arqueológico / DSPAA»

07/11/2017

Depois do W.C. deve vir aí o "latrina hotel" ...


Este outro do outro lado da Avenida, parece que foi comprado pelo mesmo da casa de banho e para ser todo demolido por dentro (é o que dizem, perdão, parece que está escrito) para nova construção e ampliação e para hotel, claro está. O prédio em causa, o 34 da Avenida Almirante Reis, poderá até ter uma residencial decrépita ou estar adulterado interiormente mas mantém ainda parte da imponência construtiva da velha avenida, que está uma sombra do que foi mas que é alegremente anunciada pela CML como "eixo prioritário" da tal de "reabilitação urbana". Bonito serviço.

06/11/2017

Demolição do edifício da Av. João Crisóstomo, 44, Lisboa – Queixas à Provedoria de Justiça e ao MP


Exma. Senhora Provedora de Justiça
Prof. Doutora Maria Lúcia Amaral


C.c. PCML, DGPC

Somos a apresentar queixa à Provedoria de Justiça relativamente a​o processo urbanístico Proc. Nº 1286/EDI/2016, que culminou na demolição total do edifício sito na Avenida João Crisóstomo, nº 44, em Lisboa.

Com efeito, decorre neste preciso momento a demolição da fachada principal do edifício (ver fotos em anexo), que seria, supostamente, para manter, nos termos do projecto acima referido, aprovado por despacho do vereador Manuel Salgado, correspondente a alterações com ampliação e manutenção de fachada.

Acresce que este mesmo edifício, onde funcionou até há pouco tempo uma residencial, se encontrava em bom estado de conservação, pelo menos até à demolição das moradias contíguas, pelo que não colhe o argumento da instabilidade estrutural do edifício, da firma LMSA, como justificativo para se ultrapassarem as normas vigentes no actual Plano Director Municipal e ser assim aprovado o projecto de alterações com demolição dos interiores.

Apelamos a Vossa Excelência e aos serviços da Provedoria de Justiça para que averiguem da justiça e legalidade dos procedimentos administrativos que conduziram ao desaparecimento do edifício em apreço.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, André Santos, Inês Beleza Barreiros, Fátima Castanheira, Rui Martins, Rui Pedro Barbosa, Alexandra de Carvalho Antunes, Maria de Morais, Miguel Atanásio Carvalho, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Jorge Pinto, Fernando Silva Grade, Beatriz Empis, Fernando Jorge, Filipe Lopes, Pedro Ribeiro e Martim Galamba

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Exma. Senhora Procuradora Geral da República
Juiz​a Joana Marques Vidal​


C.c. PCML, AML

Somos a apresentar queixa junto Ministério Público relativamente a​o processo urbanístico Proc. Nº 1286/EDI/2016, que culminou na demolição total do edifício sito na Avenida João Crisóstomo, nº 44, em Lisboa.

Com efeito, decorre neste preciso momento a demolição da fachada principal do edifício (ver fotos em anexo), que seria, supostamente, para manter, nos termos do projecto acima referido, aprovado por despacho do vereador Manuel Salgado, correspondente a alterações com ampliação e manutenção de fachada.

Acresce que este mesmo edifício, onde funcionou até há pouco tempo uma residencial, se encontrava em bom estado de conservação, pelo menos até à demolição das moradias contíguas, pelo que não colhe o argumento da instabilidade estrutural do edifício, da firma LMSA, como justificativo para se ultrapassarem as normas vigentes no actual Plano Director Municipal e ser assim aprovado o projecto de alterações com demolição dos interiores.

A presente queixa visa o apuramento de responsabilidades a nível administrativo (eventual violação de normas de direito do urbanismo/administrativo), bem como, eventualmente, criminais.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, André Santos, Inês Beleza Barreiros, Fátima Castanheira, Rui Martins, Rui Pedro Barbosa, Alexandra de Carvalho Antunes, Maria de Morais, Miguel Atanásio Carvalho, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Jorge Pinto, Fernando Silva Grade, Beatriz Empis, Fernando Jorge, Filipe Lopes, Pedro Ribeiro e Martim Galamba

01/11/2017

O Estado Português vende a estrangeiro património histórico que é de todos nós


HOSPITAL DA MARINHA

O Hospital Real da Marinha, criado por Alvará de 27 de Setembro de 1797, foi construído de raiz para o efeito no local do antigo Colégio de S. Francisco Xavier, no campo de Santa Clara, em Lisboa. Foi projectado pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri e inaugurado a 1 de Novembro de 1806, mantendo-se em actividade até 2012, altura em que foi anexado ao Hospital das Forças Armadas, que havia sido criado em 2009.

É com consternação que vemos um edifício histórico com mais de duzentos anos ao serviço da Saúde Militar ser extinto por um mero Decreto- Lei ( Artº 7 do Decreto-Lei 187/2012), encerrando definitivamente em Dezembro de 2013, sem que o Estado português tenha encontrado uma utilização condigna que poderia passar por um Museu da Saúde Militar, optando pela sua venda a um investidor francês por 17,9 milhões de euros, decisão que a todos devia envergonhar.


Pinto Soares

27/10/2017

Adeus Lapa, siga a dança


Olhem para este... vai abaixo na semana que vem. Acham que foi a reunião de CML? Pois. Rua das Praças, 84-90.

Junto à estação de Entrecampos


Chegado por e-mail:

«Boas,
queria só partilhar umas fotos do que se vem passando junto à estação de Entrecampos. Se quiserem podem publicar no vosso blog.
Cumprimentos,
João Ribeiro»

26/10/2017


Trienal recebeu 26 candidaturas a concurso para Mercado de Santa Clara em Lisboa ... e a Feira da Ladra?


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.c. Vereador Manuel Salgado, EMEL, JF São Vicente, Trienal de Arquitectura, AML e media

No seguimento de notícias vindas a público dando conta dos planos da CML em requalificar o Mercado de Santa Clara (o qual, no nosso entender, nunca devia ter sido desmantelado enquanto mercado... era um mercado lindíssimo há pouco mais que duas décadas...), designadamente sobre o concurso de ideias "com um prémio no valor de 5000 euros, dirigido a arquitectos em nome individual, organizados em colectivos informais ou sociedades de profissionais habilitados a exercer a actividade de estudos e projectos de arquitectura.”, somos a alertar V. Exa. para dois pontos que nos parecem essenciais:

* A CML deve pensar o mercado em simultâneo com a Feira da Ladra.
* É inexplicável que só se aceitem propostas para o Mercado de Santa Clara vindas de arquitectos!

De facto, Senhor Presidente,

* O Mercado fica no coração da Feira da Ladra mas não é uma zona de passagem e funciona como um "beco" porque só tem uma porta aberta (actualmente esta porta conduz apenas a um conjunto de mesas vazias e as pessoas que entram voltam imediatamente para trás; a lindíssima entrada traseira do mercado, e que seria a entrada natural para quem desce a feira do lado do Arco Grande de Cima está fechada, obstruída por caixotes do lixo por causa da cozinha que foi montada no lado de dentro e aos dias de semana também está obstruída por automóveis, e as entradas laterais do lado da escola estão encerradas) e, portanto, milhares de pessoas movimentam-se à sua volta mas não entram;
* Pelo que é necessário criar formas de as pessoas circularem no espaço (e também de as pessoas com deficiência poderem entrar neste espaço público);
* Se as pessoas se deslocam à Feira da Ladra e o edifício do Mercado é no coração da Feira da Ladra não faria sentido que o Mercado fosse parte integrante da Feira da Ladra, por exemplo como o “Bazar de sabado”, no Bairro de San Angél da Cidade do México? Não compreendemos como não se pode utilizar o edifício do Mercado como … mercado!? Ao menos que ele acolhesse o "mercado bio", que tem lugar aos Sábados no Jardim de Santa Clara, sobretudo quanto chove, atraindo mais venderores;
* Por outro lado, se se pretende atrair pessoas para o Mercado por que é que não se resolve o problema dos espaços e dos acessos que estão condicionados pelos veículos dos feirantes e de visitantes que não usam os transportes públicos?
* Em relação ao próprio Jardim Botto Machado, poderia a CML “alargar” o mesmo, ou seja, removendo o asfalto e os automóveis em vários locais (separadores centrais acima e abaixo do mercado, e em frente ao Casão militar, de modo a garantir contínuos verdes;
* Por fim, o estacionamento automóvel mantém-se caótico, selvagem até, sendo um obstáculo à circulação das pessoas, e continuando desprotegidos os passeios e as passadeiras, bem como as dezenas de viaturas que ali permanecem abandonadas permanentemente (ex. nos passeios na Rua do Mirante e no Largo, que servem de arrumos aos feirantes e que a Policia apesar de informada não reboca nomeadamente junto ao antigo Hospital Militar na Rua Bernardino António Gomes (Pai).

Outro facto que contribui para o ar de abandono de toda a zona são os monumentos e o património edificado, que continuam por recuperar, uns, valorizar, outros:

* O Monumento ao Dr. Bernardino António Gomes (filho) – busto de bronze assente sobre um pedestral de pedra - é utilizado como amarra para as espias das barracas, local para os caixotes do lixo (colocados pela CML), banco e urinol;
* O fontanário não funciona há vários anos e está parcialmente destruído;
* Os relevos na antiga muralha (que podiam ser um local de visita) não estão assinalados de nenhuma forma e estão grafitados.

Propomos, por isso, a criação de bolsas de estacionamento em terrenos públicos abandonados, tal como foi apresentado oportunamente por cidadãos à CML e à Junta de Freguesia, sem resposta até ao momento (https://op.lisboaparticipa.pt/op/propostas/575d3ccf5c28680900d34013), conforme mapa em anexo.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Bruno Palma, Júlio Amorim, Luís Serpa, Ricardo Mendes Ferreira, António Araújo, Maria de Morais, Beatriz Empis, Luís Rêgo, Inês Beleza Barreiros, Fernando Silva Grade, José Maria Amador

19/10/2017

Mais fotos fresquinhas da obrinha na Solmar (Em Vias de Classificação, mobiliário incluído...):


Mais fotos fresquinhas da obrinha na Solmar.

Veja-se o “esmero e carinho” com que acondicionam ... os candeeiros, os maples, etc. Os candeeiros estão desmontados, todos com os vidros tirados, talvez para limpar. Aqui vê-se um carrinho com parte deles. Noutras fotos vê-se que as juntas das lajes dos lambris estão betumadas e parece-me que algumas destas estão a ser limpas, o que pode ser bom sinal. Está tudo coberto de pó de pedra.

E há estes pedaços de pedra…

O café, onde antes estava guardado o mobiliário, está agora vazio.

(reportagem fotográfica de Rita Gomes Ferrão)